Hanami - A Festa da Cerejeira

Uma conexão entre a Festa da Cerejeira no Japão e em Nova Friburgo, que recebeu imigrantes japoneses.

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Hanami - A Festa da Cerejeira
Cerejeiras no Monte Fuji, em abril de 2006. Acervo pessoal.

Na década de 1920, chegou a Nova Friburgo(RJ) o primeiro imigrante japonês, Tohoru Kassuga, em busca de terras de clima temperado. Na chácara do Tingly, ele iniciou o cultivo do caqui, fruta muito apreciada no Japão. No Campo do Coelho, terceiro distrito de Nova Friburgo, a lavoura de tomate e outros legumes era feita de forma rasteira, o que resultava em grandes perdas devido ao contato direto com o solo, tornando os alimentos mais vulneráveis a pragas. Ao se instalarem neste distrito, os japoneses ensinaram os agricultores locais a utilizar estacas para verticalizar as plantas, aumentando assim a produtividade. Também introduziram as estufas, técnica até então desconhecida pelos agricultores locais.

Atualmente, no distrito do Campo do Coelho, os japoneses e seus descendentes mantêm vivas suas tradições por meio de eventos realizados em sua sede social, com música, danças e gastronomia típica de seu país. Trata-se de um espaço de sociabilidade aberto a qualquer pessoa, ainda que não pertença à comunidade nipônica. Já faz parte do calendário oficial de Nova Friburgo a Festa das Cerejeiras, o Hanami, promovida pela comunidade japonesa no mês de julho. A flor de cerejeira, a sakura, inspira o Hanami, tradicional costume japonês de contemplar e apreciar a beleza efêmera dessas flores na primavera.

Várias espécies de cerejeiras florescem no Japão, geralmente em parques, templos e outros espaços de convívio social. Quando as flores desabrocham, as pessoas se reúnem com familiares e amigos para celebrar. O Hanami é uma tradição milenar, originalmente restrita à elite da Corte Imperial, mas logo adotada pelas classes populares. Sob as árvores de cerejeiras floridas, as pessoas comem e bebem em alegres celebrações.

A contemplação das flores de cerejeira também carrega um profundo simbolismo religioso. Acreditava-se que deuses habitavam as árvores de sakura, e oferendas eram deixadas em suas raízes para pedir sorte e boas colheitas. A sakura também foi considerada símbolo do amor: moças enfeitavam os cabelos com seus galhos ou decoravam os quintais com as flores para demonstrar que estavam em busca de um amor. O florescimento das cerejeiras ocorre entre o fim de março e meados de abril ou maio, dependendo da região.

O Hanami inclui o tradicional piquenique sob as árvores floridas, momento em que se saboreiam pratos típicos como guioza, oniguiri, sushi, dango e bentô, trazidos de casa, além de bebidas que vão desde chás até bebidas alcoólicas como cerveja e saquê. Esse momento é muito especial para os japoneses, pois as flores duram apenas de uma semana a dez dias. Durante o Hanami, eles chegam de manhã e permanecem até o anoitecer para aproveitar ao máximo a beleza passageira das flores, que logo cairão das árvores.

O Hanami possui múltiplos significados, sendo o mais poético deles o simbolismo da flor como representação da brevidade da vida, devido à sua efemeridade. Poemas comparam as cerejeiras à própria existência humana: delicada e bela, mas transitória. A floração dura apenas dez dias, lembrando-nos da fugacidade da vida. Por esse motivo, a flor de cerejeira conquistou um lugar especial na cultura japonesa, sendo retratada em artesanato, origami, pinturas, gravuras, estampas de seda em quimonos, moedas e até mesmo em insígnias militares.

Em Nova Friburgo, a Festa da Cerejeira é realizada em julho, no Sítio Matsuoka, em Florândia da Serra, Conquista, no terceiro distrito. O evento conta com apresentações de danças tradicionais japonesas, como o Yosakoi Soran e o Bon-Odori, além da venda de yakisoba, sushi, sashimi e tempurá.